06 junho 2014

To Move or Not To Move: College Special

 Ficar ou Partir: prós & contras

Nem acredito que já terminou o meu primeiro ano de universidade; que, há dois semestres, estava eu na iminência de abandonar todo o conforto infantil e atravessar o oceano com a casa nas asas.
Lembro-me daqueles últimos dias. Recordo o clique que me empurrou. Sei o quão esmagador podem ser estas decisões, como um último metro antes da descolagem.
Por isso, é sempre fantástico encontrar uma segunda opinião. Eis aqui a tua.

Adiós! E agora?

Depois de decidir que universidade frequentar e que curso devorar, o primeiro passo é procurar onde morar. Pode optar por dividir um apartamento ou por ficar numa residência universitária (a vida constante no campus está para vir em post), mas, qualquer que seja a sua escolha, lembre-se:  pode despedir-se da sua privacidade e cumprimentar com um sorriso de orelha a orelha as suas novas responsabilidades inexoráveis.
Manter uma vida doméstica - ainda que singular - pode ser desafiante: os ritmos de estudo são frenéticos e quem tem tempo para cozinhar ou lavar a loiça ou comprar comida?
De facto, talvez seja este um dos  mais marcantes contras: o custo da liberdade (mas, facilmente, transforma-se num ponto a favor: imagine o mundo de escolhas ao seu alcance todas as semanas no corredor das guloseimas do Super-Mercado!)
Depois de ganha a autonomia, há que geri-la e esta vitória é, definitivamente, esmagadora na sua nova vida e identidade.
Por outro lado, há a incrível solidão. Sim, tem amigos e companhia, mas está, na verdade, completamente, sozinho num sítio onde a sua vida parece ser tão frágil.
É o primeiro combate com a mortalidade e consigo próprio: conhece-se como nunca e luta pela sua sanidade mental. Os lugares a ver , rapidamente, se esgotam e, quando a rotina se instala, particularmente, quando não lhe restam horas do dia para sair de casa sem ser acompanhada de um maço de folhas para ler, o mundo cai-lhe sobre os ombros.

Pelo retrato que estou a pintar, parece tudo um pesadelo e, no entanto, esta será a melhor época da sua vida.
Se decidir partir para Lisboa, nunca se encontrará sentado num sofá sem nada para fazer: há um milhão de opções a descobrir, constantemente, em evolução. Os sítios tornam-se chegados, mas as feiras, os ciclos de cinema e as lojas são tesoiros em imparável renovação.
Mais, as tarefas domésticas tornam-se relaxantes, um escape necessário ao ritmo constante de mais e mais trabalho a ser feito. Cada minuto na cozinha - ou na vitrine do take away - é mais uma viagem surpreendente e enriquecedora.
Por fim, estar sozinho é delicioso, quando está frio e se sente agasalhado consigo próprio ou quando se deita ao sol à beira do lago da Gulbenkian a aproveitar o fim de uma semana que sabe que será seguida por dois dias de mais leituras.

E voltar a casa?

Se tiver a oportunidade de lá ir todas as semanas, talvez seja melhor considerar poupar algumas viagens e concentrar-se no seu trabalho hibernada no seu novo lar.
Se, pelo contrário, for um migrante açoriano ou madeirense, os voos são um luxo a descobrir, que lhe dentam as poupanças e os horários.
Voltar a casa depois de um longo período de ausência é um Natal permanente, uma garrafa de champanhe que explode vezes e vezes sem conta, mesmo que mantenha um contacto inesgotável, o conforto da cama familiar nunca se mostra menos sedutor.

Vou ou fico?

Vá e aventure-se... Estar, completamente, perdido é, efetivamente, magnífico. Todos os dias são repletos de pequenas vitórias. Esta é a sua oportunidade de, finalmente, se constituir como adulto.
Diga adeus a essa gaiola, perfeitamente, doirada e venha conhecer-se, venha aprender a pensar.
Vai resistir?

Inspirado na vida,
Isabel Patrício


2 comentários:

Anónimo disse...

Sem tirar nem por. Já cá estou há 4 anos e revejo-me nisso tudo :o
Muito bom!

Isabel Patrício disse...

A coragem de tomar este passo é esmagadora e ao mesmo tempo tão irresistível.

Obrigada pela visita e pelo comentário.
Volte para mais :-)