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26 setembro 2012

Alimentando os ratos…

Numa época em que tudo se contesta, tudo se contrapõe e manifesta, em mim só se desperta o desejo de fechar os olhos e ignorar o cúmulo a que chegamos.
Pois bem, se há semanas se discutem as novas medidas de austeridade que, como não poderia deixar de ser, geraram as mais incríveis multidões, é, realmente, verdade que os sentimentos que as movem são no seu âmago contraditórios!
Ora “pelo futuro dos meus filhos” – frase repetida vezes sem conta e, no entanto, diluída no movimento, certo? É que se se pretende um futuro mais promissor – ou pelo menos, possível – para as futuras gerações, o primeiro passo será, definitivamente, equilibrar as contas públicas, dissolver os milhões (biliões, na verdade) de encargos, crescer! Esse passo mais brilhante será, portanto, proveniente do esforço dos portugueses, obviamente…
Discutindo um outro assunto, lembre-se que o rendimento social de inserção é insuficiente para muitas famílias. É verdade, sim… ou pelo menos é adequado para uma realidade geral. Todavia, o que geralmente é visível aqui nos Açores - e acredito em muitos outros sítios do país - é uma total desadequação entre a potencialidade de uma família e o que esta recebe, isto é, a mim basta-me descer a rua para assistir ao desfile dos meus impostos. Cansada de olhar para cartazes em que o primeiro-ministro figura como o maior ladrão, a mim apraz-me dizer que os delinquentes que consomem os escalões escolares e nada pretendem da escola não são menos culpados. Se uma turma é uma grande despesa para o Estado e, por isso, empilham-se alunos e alunos, vamos reduzir a quantidade de desperdício de recursos e vocacionar aqueles que nada almejam para a sua vida a não ser, claramente, serem bon vivants para áreas em que sejam úteis e façam valer o investimento.
Sim, parece-me que a raiva tolda-me a capacidade de organizar um discurso, não resistindo a acusar tudo e todos. É, porém, bastante simples a minha «teoria» sobre o estado do país e resume-se em 3 pontos, que poderiam ser alargados a muitos outros campos…
Ponto 1º: Se se protesta, não se produz, estando-se não só a prejudicar o Estado e as empresas, mas também a nós próprios. A greve como meio de mudança, hoje em dia, conduz, somente, ao agravamento da situação. É importante compreender que estes não são tempos de medidas felizes e se nos foi imposta uma «solução», a nós compete suar e pagá-la. Todavia…

Ponto 2º: Se há falta de recursos, como é historicamente conhecido, o caminho mais aconselhável é a sua racionalização! Deste modo, é imperativo, supervisionar todos os caminhos do nosso dinheiro. Esqueçam os alunos que nada querem, os jovens que se perdem e as mulheres que se limitam a gastar o fruto do esforço dos contribuintes. Se em muitos casos é necessária ajuda, concedam-a. Numa época em que a taxa de desemprego atingiu recordes, é preciso dar a mão a quem, involuntariamente, grita por auxílio. Não é esta, contudo, a ocasião para se construírem bairros sociais para substituírem os que já foram consumidos pelas massas. Não é esta a altura de expandir a escolaridade obrigatória, privilegiando a menor aptidão financeira e esquecendo por completo a maior aptidão intelectual. Se procuram justiça, comecem por impor regras quanto à ajuda. Exijam o melhor desempenho na escola, a melhor das condutas e uma organização eficiente dos subsídios. Assim e assim somente se conseguirão erguer jovens responsáveis e capazes, converter acostumados ao conforto em guerreiros e, por fim, ajudar os que precisam, verdadeiramente, já que uma gestão eficaz é, igualmente, mais abrangente!

Ponto 3º: A mim surpreende-me a facilidade de negligenciar o esforço. Primeiramente, oiça o problema. De seguida, oiça a solução proposta. E, finalmente, discorde, se, assim, lhe convier. Faça-o, porém, construtivamente, tendo em mente soluções. Não me refiro à deposição do governo, já que a sua formação teve origem no voto dos portugueses, que, efetivamente, têm o poder de o pressionar. Digo sim, use a sua força para o auxiliar, de certa forma. Uma vez li a seguinte frase «Facebook ou catálogo humano?». Cada vez mais, penso que a segunda opção será a mais correta. A revolta tem sido incitada através das redes sociais. O país está cansado de dispensar os bens necessários à sobrevivência. Sei, muito bem, que os cortes já nos afetam, gravemente. Mas a ferida tende a não coagular e a estrada, ainda, é longa! Com tudo isto, é antes preciso incitar a esperança, produzir, unir a população e esquecer as marcas divisórias que nos separam. Cobrem aos ricos na mesma proporção e não sejam demasiado generosos no conforto… Se é para lutar, lutemos todos e com o mesmo grau de dor.

É que no meio de tudo isto, já se notam sinais de cansaço. Em mim já são evidentes marcas de irritação fruto da constante necessidade de alimentar os ratos do celeiro, que nos veem trabalhar, reservando-se, contudo, ao direito de usufruir do nosso trabalho e consumir, grandemente, os nossos recursos. Os nossos rostos estão feridos na esperança de algum pão. Os deles estão saudáveis e têm um grande banquete à disposição!

03 maio 2012

Já não é o que era…

As vagas de emigração, desde sempre, marcaram o «regime» demográfico do nosso pobre Portugal. A situação, porém, mudou. Não se trata de uma melhoria de vida, de uma permanência da população ativa jovem ou de uma redução do fluxo de saída. Antes, trata-se de uma mudança do tipo de população emigrante: saíam massas pouco escolarizadas e, como todos sabemos, o emprego  no  país de acolhimento não era problema, apesar de, frequentemente, precário; saem, agora, massas altamente instruídas cujo futuro é incerto. Fogem, mas a fuga revela-se bastante utópica. Que fazer?  Bem, ficar em Portugal não é uma solução, certo? Como iremos sobreviver a este regime de emprego que beneficia a precariedade e os despedimentos?! Sim, porque pelo rumo das questões, o trabalhador tornar-se-á uma autêntica marioneta descartável. Não serão, portanto, as novas leis laborais desumanas?As respostas não se oferecem e insegurança por insegurança, antes permanecer num país onde, pelo esforço próprio, crescer é possível, isto é, antes sair!

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Pois, isso era antes… agora é pior!

08 abril 2011

Portugal...mas não dos portugueses!

Andamos meses e meses sem cessar, fingindo que não se passa nada connosco, que não precisamos de ajuda e que os PEC's são apenas uma "roubalheira" do governo, mas no fundo, fomos nós mesmo os ladrões dos nossos próprios cofres, comprando e vendendo o que não tinhamos e o que não podíamos comprar.
"Sonhar não paga imposto". Pois sim, mas concretizar esses sonhos no crédito mal parado é pago e, hoje, estamos justamente apenas a receber a factura dos nossos altos sonhos.
Sou da "Geração à rasca", todavia entendo perfeitamente que a queda do governo não foi um acto em respeito à economia, nem sequer um acto de solideriedade para com os portugueses cada vez "mais magros", foi sim um acto de puro egoísmo político.
Pois bem, meus senhores, o PEC IV acabará por vir e, nesta altura, acompanhado de outra grande ajuda que não só cortará a já curta respiração do povo português, como também aniquilará todo o sentimento de pátria até aqui existente, porque Pátria que é pátria é liderada por Homens com a inteligência suficiente para tomar as decisões em conjunto e não em pé de guerra.

03 setembro 2010

Processo Casa Pia

Após oito longos anos de investigações e depoimentos, "terminou" hoje o conhecido processo "Casa Pia", com a absolvição de uma arguida e com a condenação dos restantes seis.
O antigo motorista da alegada instituição, Carlos Silvino, foi condenado na pena mais pesada, de dezoito anos, tendo em conta ter confessado os crimes de que era acusado. O seu representante legal anunciou a interposição de recurso para o Tribunal da Relação.
Carlos Cruz,o antigo apresentador televisivo, foi condenado a sete anos de prisão efectiva. O arguido apenas foi acusado por três dos crimes em que estava pronunciado. Um dos seus advogados, Sá Fernandes, anunciou a decisão de recorrer da sentença.
Ferreira Diniz, foi condenado a sete anos e o embaixador Jorge Ritto a seis anos e oito meses, sendo apenas acusado de oito dos onze crimes em que estava pronunciado.
Manuel Abrantes, ex-provedor da Casa Pia, foi condenado a cinco anos e nove meses, sendo apenas condenado por dois dos 51 crimes iniciais em que estava pronunciado, no entanto o Ministério Público apenas o acusou de 16 destes. Abrantes anunciou a interposição de recurso e reafirmou a sua inocência: "Dei tudo o que tinha para dar, respondi a tudo o que o tribunal me perguntou, nunca abusei de ninguém".
O advogado Hugo Marçal foi condenado a seis anos e dois meses.
Gertrudes Nunes, acusada de 26 crimes de lenocínio, foi absolvida, já que o tribunal considerou que não estavam preenchidos todos os requisitos para a condenação.
O acórdão foi lido pela juíza Ana Peres. "Termina" assim, um julgamento em que estiveram envolvidos 981 depoimentos,(920 testemunhas,32 vitimas, 19 consultores técnicos e 18 peritos), ainda a acrescentar existe um processo de 273 volumes, 352 DVD, 588 apensos e 1000 CD.
A sessão terminou exactamente às cinco horas da tarde (hora continental), quanto às declarações, Miguel Matias, advogado das vitimas, pronunciou a sua satisfação :"Foi uma decisão muito acertada para todos os arguidos. Quando os jovens são apelidados de mentirosos, quando toda a gente pôs em causa o que eles disseram ao longo deste tempo todo, eu ficaria contente e eles também com a condenação dos arguidos".

(Dados e Números recolhidos de RTP e DN)