26 setembro 2013
O velho. O novo. O só.
24 setembro 2013
Viver sob o sol público...
Viver sob o sol público
30 maio 2013
O vento depois da véspera…
Do nada se esfumam as andorinhas; do nada se esvai a véspera; e ficamos nós, imortais e desumanos, olhando o futuro, animicamente.
Ontem, que é feito de ti? Que te fizeram dias intermináveis, distância intransponível? Que força corrompeu a minha ingenuidade, a minha vontade?
Olho o céu, é manhã. Nasce o sol, nascem as primeiras pétalas, que enroladas estavam sob o manto celeste. Olho o céu, é noite. Que foi feito do tempo?
Acelera-se a vida já monótona e parece-me que as vinte e quatro horas se tornam intermináveis e passageiras. É como flutuar num rio que não se move, mas descai para a foz. Que é feito de mim?
Fito-me e anseio pela criança, pela jovem, pela mesma pessoa de ontem. Grito e, mesmo assim, este vil espelho que é o dia seguinte mostra-me deformada e adulta: só!
Que é feito de mim? Dos dias de concentração sem propósito, da boa margem para o desperdício? Caminho a passos largos para a velhice…
Começa, agora, a agitação. Estou frenética à beira abismo e temo o próximo passo. Serei já capaz? Estarão fortes as minhas asas? Que é feito de ti, mulher?
Onde estão os teus olhos transparentes e o teu sorriso invisível? Que força é esta que te domina, que te impele para a última semana da tua infância?
Ouço, finalmente, o barulho estrondoso do comboio que se aproxima. Entro nele e, no momento em que começa a andar, sinto cada fio que me liga à felicidade a dissolver-se. E acaba, irremediavelmente, a minha estada aqui, neste mundo pequeno e idílico que era eu.
Oh que Utopia a minha de vingar numa vida vã e insensível. Quimera tola capaz de mascarar a ação vaga do tempo e de o enfatizar no momento da mudança: veneno que reforça o corte, que inflama a ferida e a torna incurável!
13 outubro 2012
A história do amor de Nicole Krauss
Mais um acaso do destino… Foi, assim, que encontrei A história do amor. Numa primeira inspeção, descobrem-se abundantes críticas positivas à autora e à própria obra, sendo aclamadas como únicas e marcantes. Bem, e com este prelúdio, pouco resta à imaginação… A expectativa era suprema e só me restava mergulhar no enredo. Fi-lo!
Desde o início, apresenta-se uma história diferente e inesperada: o retrato da vida de um idoso – Leopold Gursky - nos seus dias finais que luta por marcar a sua presença para não ser encontrado morto vários dias depois do seu final…
Porém, na porção seguinte, já se introduz Alma Singer, uma jovenzinha que luta contra a dor da perda do pai e contra o estado dormente da mãe. Uma guerreira precoce!
Dois enredos, aparentemente, díspares, que se unem… têm em comum um livro escrito pela primeira personagem e relevante na vida da segunda. Todavia, essa conclusão é precipitada, pois, somente, na parte final da obra, se percebe quem era realmente o autor do romance e se dissolvem alguns dos enigmas que o rodeiam.
Pelo caminho, o homem sofre e debate-se com o passado; Alma procura-se e tentar encontrar um parceiro para a mãe, para que a sua dormência se dilua, caindo na própria pesquisa da sua origem.
A história do amor é uma obra para os resistentes e persistentes, que não desistem à primeira confusão ou mal-entendido. Devorá-lo é uma tarefa, facilmente, complicada, mas deliciosa. Um livro misterioso e que nos força à reflexão do que é real e possível e do que é real e impossível. Uma introspeção sobre a solidão! Claramente, recomendável. A ler e reler…
09 outubro 2012
Os primeiros capítulos esquecem-se!?
Quando a chuva amaina, os trovões parecem tremendos e terríveis! Ontem a criatura lamentava a dor que fazia latejar o seu âmago: a vontade de abandonar o processo de fuga da infância. Hoje nela restam pedaços do caminho e diluem-se os companheiros de estrada. Oh como se dissipam, como se confundem agora com o pavimento…
Nos primeiros anos da minha existência, eu almejava atingir a idade das possibilidades, a idade do voo. Nos meus olhos vivia a força constante de derrubar todos os obstáculos. Naquela idade, a solidão era, duramente, inexistente. As relações – como hoje – esgotavam-me, consumiam a minha faculdade de ser racional e equilibrada. O outro era o monstro que me sufocava e me transformava num ser excêntrico delicioso.
Mas hoje, que o voo está iminente, o monstro tende a partir, a deixar-me sofrer sozinha… É natural prosseguir, escapar do habitual, é doloroso! Ninguém nos embala e conta que, enquanto adultos, somos criaturas, completamente, solitárias. Ninguém nos confessa que chora sozinha e sorri sem companhia. Ninguém nos avisa que a grandeza – que o beijo da imortalidade – exige um salto de fé!
É agora que nos cabe decidir se vamos ou ficamos: se abandonamos o calor materno, conhecido e confortável ou se tentámos o extraordinário. E porque não o extravagante?
A falha é compensada pelas vezes que nos ostentam como únicos e capazes…
Ensinam-nos a acreditar: nos outros, em Deus e na verdade. E em nós? É tão, completamente, ridículo como nos agarram e depois nos deixam cair no mundo… É esplêndido e magoa, mas fascina-me. Sinto-me confusa. Esta idade parece-me demasiado brilhante e comum, distrai-me a sua essência e, no entanto, os meus instintos estão alerta, à espera da oportunidade de saltar o precipício.
E o início? O monstro? A chuva?
A vida é um ciclo rápido de mais! Soberanamente, determinado a não ser aproveitado pelos seres que anseiam pela falta de esquecimento. Deixa-me ficar aqui para sempre, mesmo que os capítulos iniciais se dissolvam e que o monstro soçobre. Fitá-lo-ei, então, pela primeira vez, como igual…
26 setembro 2012
Alimentando os ratos…
Numa época em que tudo se contesta, tudo se contrapõe e manifesta, em mim só se desperta o desejo de fechar os olhos e ignorar o cúmulo a que chegamos.
Pois bem, se há semanas se discutem as novas medidas de austeridade que, como não poderia deixar de ser, geraram as mais incríveis multidões, é, realmente, verdade que os sentimentos que as movem são no seu âmago contraditórios!
Ora “pelo futuro dos meus filhos” – frase repetida vezes sem conta e, no entanto, diluída no movimento, certo? É que se se pretende um futuro mais promissor – ou pelo menos, possível – para as futuras gerações, o primeiro passo será, definitivamente, equilibrar as contas públicas, dissolver os milhões (biliões, na verdade) de encargos, crescer! Esse passo mais brilhante será, portanto, proveniente do esforço dos portugueses, obviamente…
Discutindo um outro assunto, lembre-se que o rendimento social de inserção é insuficiente para muitas famílias. É verdade, sim… ou pelo menos é adequado para uma realidade geral. Todavia, o que geralmente é visível aqui nos Açores - e acredito em muitos outros sítios do país - é uma total desadequação entre a potencialidade de uma família e o que esta recebe, isto é, a mim basta-me descer a rua para assistir ao desfile dos meus impostos. Cansada de olhar para cartazes em que o primeiro-ministro figura como o maior ladrão, a mim apraz-me dizer que os delinquentes que consomem os escalões escolares e nada pretendem da escola não são menos culpados. Se uma turma é uma grande despesa para o Estado e, por isso, empilham-se alunos e alunos, vamos reduzir a quantidade de desperdício de recursos e vocacionar aqueles que nada almejam para a sua vida a não ser, claramente, serem bon vivants para áreas em que sejam úteis e façam valer o investimento.
Sim, parece-me que a raiva tolda-me a capacidade de organizar um discurso, não resistindo a acusar tudo e todos. É, porém, bastante simples a minha «teoria» sobre o estado do país e resume-se em 3 pontos, que poderiam ser alargados a muitos outros campos…
Ponto 1º: Se se protesta, não se produz, estando-se não só a prejudicar o Estado e as empresas, mas também a nós próprios. A greve como meio de mudança, hoje em dia, conduz, somente, ao agravamento da situação. É importante compreender que estes não são tempos de medidas felizes e se nos foi imposta uma «solução», a nós compete suar e pagá-la. Todavia…
Ponto 2º: Se há falta de recursos, como é historicamente conhecido, o caminho mais aconselhável é a sua racionalização! Deste modo, é imperativo, supervisionar todos os caminhos do nosso dinheiro. Esqueçam os alunos que nada querem, os jovens que se perdem e as mulheres que se limitam a gastar o fruto do esforço dos contribuintes. Se em muitos casos é necessária ajuda, concedam-a. Numa época em que a taxa de desemprego atingiu recordes, é preciso dar a mão a quem, involuntariamente, grita por auxílio. Não é esta, contudo, a ocasião para se construírem bairros sociais para substituírem os que já foram consumidos pelas massas. Não é esta a altura de expandir a escolaridade obrigatória, privilegiando a menor aptidão financeira e esquecendo por completo a maior aptidão intelectual. Se procuram justiça, comecem por impor regras quanto à ajuda. Exijam o melhor desempenho na escola, a melhor das condutas e uma organização eficiente dos subsídios. Assim e assim somente se conseguirão erguer jovens responsáveis e capazes, converter acostumados ao conforto em guerreiros e, por fim, ajudar os que precisam, verdadeiramente, já que uma gestão eficaz é, igualmente, mais abrangente!
Ponto 3º: A mim surpreende-me a facilidade de negligenciar o esforço. Primeiramente, oiça o problema. De seguida, oiça a solução proposta. E, finalmente, discorde, se, assim, lhe convier. Faça-o, porém, construtivamente, tendo em mente soluções. Não me refiro à deposição do governo, já que a sua formação teve origem no voto dos portugueses, que, efetivamente, têm o poder de o pressionar. Digo sim, use a sua força para o auxiliar, de certa forma. Uma vez li a seguinte frase «Facebook ou catálogo humano?». Cada vez mais, penso que a segunda opção será a mais correta. A revolta tem sido incitada através das redes sociais. O país está cansado de dispensar os bens necessários à sobrevivência. Sei, muito bem, que os cortes já nos afetam, gravemente. Mas a ferida tende a não coagular e a estrada, ainda, é longa! Com tudo isto, é antes preciso incitar a esperança, produzir, unir a população e esquecer as marcas divisórias que nos separam. Cobrem aos ricos na mesma proporção e não sejam demasiado generosos no conforto… Se é para lutar, lutemos todos e com o mesmo grau de dor.
É que no meio de tudo isto, já se notam sinais de cansaço. Em mim já são evidentes marcas de irritação fruto da constante necessidade de alimentar os ratos do celeiro, que nos veem trabalhar, reservando-se, contudo, ao direito de usufruir do nosso trabalho e consumir, grandemente, os nossos recursos. Os nossos rostos estão feridos na esperança de algum pão. Os deles estão saudáveis e têm um grande banquete à disposição!
12 setembro 2012
Divergente de Veronica Roth
O melhor de descobrir algo mesmo bom é contagiar uma vasta área! Assim aconteceu com Divergente: uma história , à primeira vista, cativante, mas muito melhor depois de explorada!
Esqueçam as insípidas obras cheias de mistério e nenhum romance, que, apesar de forneceram uma grande quebra-cabeças, falham na missão de saciar todos os sentidos do leitor. Divergente não! É interessante sob todos os pontos… um enredo bem construído, um cenário magnifico e várias personagens atraentes.
Revela-se a divisão de Chicago – está claro, um Chicago diferente – em cinco facções, que pretendem cultivar determinadas virtudes, de modo a erradicar certos defeitos da raça humana e a garantir a paz: os Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Cordiais (a amizade/ simpatia), Intrépidos (a coragem) e Eruditos (a inteligência). Todavia, no seio desta estrutura, aparentemente, perfeita, surgem os Divergentes, que não se adaptam a estes comportamentos padronizados. Como sempre, a diferença assusta e acaba, eventualmente, por vencer a corrupção… e a luta que se trava entre duas facções: a que dirige e a que está faminta de poder!
Um final aberto que nos proporciona a possibilidade de imaginar um futuro desenvolvimento, que, efetivamente, se concretiza, não se tratasse esta obra de, somente, uma parte da saga. A seguir: Insurgente! Mal posso esperar para o agarrar. A ler e reler….
02 setembro 2012
Why Can’t I Stop Thinking About You?!
É, ridiculamente, simples: cada átomo do meu ser associa toda e qualquer memória a outra existência. Depois de quatro anos de dormência plena, o despertar ruge, furiosamente!
Pela estrada se desbotam pedaços da minha criatura, pinta-se o percurso com o ser próprio, torna-se seu! Já não é uma batalha, é um conflito interior, uma vontade estranha. O espaço já sou eu, a minha essência tresanda! Num momento estou no topo, e neste momento estou no pó que me moldou… As minhas formas desfiguram-se. Assemelho-e a nada, e nada é muito. A minha própria respiração é condicional… a minha força interior é fraca! De repente, eu já não existo! Agora, e por uns dias de combate, sou uma marioneta desta emoção repentina e doida, que se mostra incontrolável.
Pelo fim da semana, serei tão morna como ontem, mas hoje sou menos dormente, pelo menos! A tempestade é tão efémera, que não me preocupa. Derrama, todavia, na minha alma a estúpida vontade de a alimentar. Esquece, tempestade! Eu venço sempre. Sou a senhora de todas as tuas possibilidades. E, no entanto, desejo, profundamente, não o ser!
Com o olhar que me dedicas acendi o maior incêndio dos últimos tempos… Eu sei como extingui-lo. Não quero, mas irá desaparecer, rapidamente: não há muito para consumir, já só restam tentativas ocas. Entretanto, deturpas-me as faculdades, gritas-me e massacras a minha tranquilidade doentia.
Prometi que não ia cair e caí. Sei como esquecer a queda, mas a dor é tão deliciosa. Sinto-me um espectro de um vampiro – se isso fosse possível – que devora um ser, malha a nívea pele, os alvos lábios e, mesmo através de toda esta confusão, sorri satisfeito e faminto: sempre mais, e mais é pouco!
Uma eternidade seria insuficiente para remover essa minha capacidade destruidora. Tu pareces inibi-la, mas não aniquilá-la. Em poucos dias, tu morres, eu volto ao céu e deixo o momentâneo e feliz inferno das criaturas felizes…
Pelo caminho, vou tornar mais rija a minha proteção. No teu próximo olhar, já não estarei exposta aos teus encantos, aos teus brilhantes sorrisos, à tua constante procura… Vou sentir-me indiferente e encarar o nosso encontro como um mero acaso, que agora sinto como extraordinário!
Tune of the week: Hall of fame by The Script
Já fazia algum tempo que nenhuma música me tocava, profundamente… Andava entre Rumour Has It da Adelle e Where Have You Been Rihanna, mas nunca «excursão» pelo Vevo – canal musical mais hot do Youtube – descobri Hall of Fame de The Script. Na verdade, não conhecia a banda, mas a linda mensagem da música atraiu-me!
Em suma, transmite a força necessária para ascender e diluir todos os obstáculos… Interessante, um bom som para os dias de Outono que ai vêm!
01 setembro 2012
Speaking of Love...
É difícil ignorar a acelaração imediata, que nos toma de assalto, sufoca e massacra por umas ampulhetas de tempo.
Quando já só nos resta um orgão seco, incapaz de se agarrar a qualquer ingénua conexão, a nova força massiva é terrivelmente assustadora!
É, assim, desta forma, estranhamente, deliciosa que se prende a ave livre e solitária. Se antes abandonar o vento era similar a uma tortura - já que ainda era cedo - agora, nada resta que a ate à liberdade. E segue: sensível pela primeira vez.
23 agosto 2012
Review: Eat, Pray, Love
Comer, Orar e Amar é um extraordinário filme que descreve a jornada de um mulher – encarnada por Julia Robertas – que se tenta encontrar. O título retrata, precisamente, a progressão da viagem que faz para explorar a sua alma e encontrar paz. Inicia-a em Itália, onde come e esquece todas as restrições da sociedade e os modelos de magreza a seguir. Segue para a Índia, onde medita e descobre a sua capacidade de sentir tranquilidade. Por fim, chega a Bali, onde encontra o amor, que a força a desistir do equilíbrio morno atingido até aí.
Brilhante! Com efeito, retrata o retorno à alma e a procura pelo gosto pela vida. Induz-nos em reflexões sobre o que é realmente importante. A ver e rever…
Os romances que se tornaram filmes…
É constante a adaptação de romances ao grande e pequeno ecrã e, em certas alturas, o fruto desta alteração é desejável, enquanto que, em outras, pouca se adicionou à glória do livro. Hoje, discute-se a conversação de Persuasão – obra original de Jane Austen – e Jane Eyre – obra original de Charlotte Bronte.
Persuasão é um romance delicado e delicioso que, imperativamente, tinha se se transformar em filme. Na realidade, o resultado foi tão bonito como a obra original. A banda sonora é cativante, os cenários atrativos e os atores apropriados. Anne é encarnada por Sally Hamkins, que lhe confere a doçura e melancolia adequadas e Wentworth por Rupert Perry-Jones que lhe fornece a galanteria e, mesmo assim, a timidez apropriadas. O enredo, apesar de ter sido encurtado, mantem o seu charme inicial e é, sem dúvida, uma boa recomendação!
Por outro lado, Jane Eyre é uma obra repleta de acontecimentos, de detalhes e enredos secundários. A sua conversão não foi tão feliz e, embora tenham existido duas tentativas, o resultado é, somente, morno e lento. Quer descobrir a história? Limite-se ao livro!
O rio sabe de Amanda Quick
É, deliciosamente, misterioso estar numa biblioteca sem qualquer pista sobre o que levar. Bem, era mais ou menos assim que me encontrava – vasculhava pelas estantes à procura de um autor conhecido, de um desconhecido interessante ou de um título apelativo. Deste modo, dei de caras com O rio sabe, que, pela história da contra-capa, me atraiu.
Na verdade, trata-se de uma obra cheia de mistério que se adensa, progressivamente, e só se dissolve nos últimos momentos do enredo.
Simultaneamente, desenvolve-se um romance entre os dois protagonistas que procuram a verdade para uma série de crimes disfarçados de suicídios. De facto, em certas alturas, o enredo torna-se demasiado gráfico e «adulto», mas, de um modo geral, representa uma excelente construção cheia de pequenas artimanhas.
Um final surpreendente e ,em suma, uma obra bonita, que, definitivamente, merece ser lida!
Uma observação sobre os motivos que conduzem ao assassínio voluntário: “Ganância, vingança, necessidade de esconder um segredo e loucura” e sobre o que conduz a um crime por defesa…
Washington Square de Henry James
Após ter ficado encantada com Daisy Miller de Henry James, decidi conhecer mais sobre o autor, tendo, por isso, devorado mais obras suas.
Em primeiro lugar, explorei Washington Square – livro que, primeiro, me pareceu pequeno e, depois, uma “grande história”. Na verdade, não o apreciei muito, já que a «heroína» – como o próprio narrador se atreve a chamar – é demasiado morna e infeliz. Irritou-me desde o momento em que, preenchida pela indecisão, escolhe seguir um jovem, claramente, impostor. Apetecia-me gritar: “Que mulherzinha tola!», e, no entanto, em mim ardia uma centelha de esperança de que, no final, Townsend se revelasse mais puro e sincero nas suas afeições do que sempre pareceu. Mas não! Ou pelo menos, não me pareceu que fosse decente, até mesmo quando tenta reatar, aquando da velhice de ambos.
Com efeito, valerá a pena ler para descobrir todo o enredo que conduz ao rompimento com um pai sempre temido e adorado, a um amor insensato e a uma tristeza constante proveniente de um romance mais acabado. Demasiado dormente para mim. Porém, interessante do ponto de vista da tia, que sempre confere à história um determinado fogo de progressão nas artimanhas.
18 agosto 2012
As saudades que não sabíamos que tínhamos…
Palmeava o terreno dos sonhos a toda a velocidade e a largos passos almejava refugiar-me na consciência, na realidade. Era tão belo nascer do sol naquele lugar distante e dormente, mas ansiava por acordar e encarar a dor da separação.
Sim, sabia que sentia a falta das ruas de Paris, do seu aroma a alma, do seu visual tímido e diluído na História. Sonhara já com a cidade e já sabia que a amava, mas nunca como quando a vi à distância!
Irracionalmente, derramei lágrimas amargas, sentindo-lhes o sabor a fel. Tentava perder a calma para alcançar a dormência, mas a dor inconsciente era enorme. Esplêndida sensação! Derramava-se, naquela altura, o que eu era eu e surgia o que sempre queria ser.
Não há muito tempo, pensei que pelo caminho tinha abandonado a minha força e que me agarrava aos almejos de forma oca. Sentia-me incapaz de os amar. Antes, encarava-os como inevitáveis objetivos. Mas a saudade fez-me encontrar o pedaço da minha alma desbotada na morna atitude e percebi que não sabia o quão sentia a falta daquele período ínfimo que me apresentou o meu ninho.
É que a dor é o combustível da força, a dor própria e criada pela irracionalidade. Desprezem a vida e os arranhões da estrada tortuosa, o motor para o sonho está dentro de cada criatura, está na sua capacidade de sofrer por algo tolo e apaixonado.
Ah ver Paris foi o melhor impulso. Saber que não a podia possuir tão cedo, que teria de crescer e lutar por ela. É irracional, mas o lar chama-me e sinto-me, extraordinariamente, invulgar por sentir isto! É estranho gostar de um lugar conhecido por uma fracção de segundo…
As saudades que guardava camufladas foram saciadas pela renovada vontade. O Homem é uma criatura triste, por natureza. Fazê-la feliz é simples: levem-a a casa!
Daisy Miller de Henry James
Henry James foi uma recomendação e, por isso, esperava um sucesso. Pois, tive-o! Daisy Miller é uma obra extremamente pequena que explora o comportamento de uma jovem namoradeira americana inserida na sociedade rígida europeia.
Através da visão de Winterbourne, um jovem americano que mais se assemelha a um «formal» europeu – fruto da sua educação em Genebra – revelam-se as atitudes inapropriadas da bela jovem, que o encanta e revolta, já que pela sua imprudência nasce a proibição de mais profunda aproximação.
Disseram-me que Henry James era comparado a Austen. Em Paris é uma festa de Hemingway, Haidle – esposa de Ernest – apenas aprecia este autor. Portanto, restava-me grande curiosidade. Efetivamente, é delicioso: simples e dotado de delicadeza! Recomendável e leve para o Verão!
O outro eu de Graham Greene
Da mesma forma que Se me pudesses ver agora me surpreendeu pela positiva, O outro eu fê-lo de forma menos aconselhável. Com efeito, esperava uma boa história cheia de mistério e, efetivamente, tive o secretismo que procurava, nos dois ou três primeiros capítulos!
Assim, o que a princípio me irritava pela confusão que fornecia tornou-se no ponto mais interessante, já que quando se dá a revelação de todo o enredo anterior – cedo de mais – pouco resta a desvendar.
Todavia, alimenta-se uma pequena história sobre contrabando e delatores e acaba-se, no final, por revelar mais uma obra filosófica do que literária!
O outro eu revela, portanto, a existência de dois seres num só homem: a sombra de um pai que força um certo caráter e a sombra de uma personalidade crítica que atormenta o efeito paternal cobarde.
O final é curioso, mas, mesmo assim, desapontou-me, uma vez que nem o romance sobrevive, ascendendo, somente – e mais importante – o «eu» verdadeiro.
Com efeito, ressoa a naturalismo, ou, pelo menos, assemelha-se a uma reflexão sobre as consequências possíveis da hereditariedade e do meio, que no final são diluídas pela força de vontade própria. Um triunfo sobre a cobardia, aparentemente, impingida. Estranhamente consumível, apesar dos enormes capítulos. Uma obra para curiosos…
Paris é uma festa de Ernest Hemingway
Já que aprecio tanto a literatura inglesa, decidi, finalmente, dar uma oportunidade aos nomes mais conceituados americanos, começando, portanto, por Hemingway. Todavia, a escolha da obra talvez tenha sido inapropriada, já que se trata mais de uma narração biográfica do que propriamente de um enredo atraente.
Com efeito, Paris é uma festa relata o período precoce da vida do autor passado em Paris, apresentando os seus contactos, os outros artistas, as delícias da paisagem, os restaurantes, os costumes e, obviamente, os podres da sociedade literária.
Pequeno, mas não compacto, em XX capítulos conta-se a história da sua estada na cidade, das suas relações e problemas. Ideal, porém, para qualquer jovem autor ou aspirante a, já que descreve, exatamente, as peripécias de um que, efetivamente, veio a tornar-se incontornável. Recomendável, assim!
10 agosto 2012
Sensibilidade e bom senso de Jane Austen
Desta vez, decidi arriscar e ler a obra na versão original, isto é, no idioma em que foi escrita e, assim, apreciar toda a sua grandeza. Apesar de ter pensado vir a ser difícil, a tarefa revelou-se, somente, deliciosa.
Quanto a Sensibilidade e bom senso, embora siga a regra de delicadeza de narração e genialidade de enredo, revelou-se a mais triste das obra austenianas.
No final do filme Becoming Jane –que retrata parte da vida da autora – declara-se que Austem pensara em dotar todas as suas heroínas com um final feliz, já que ela própria nunca o viveu. Sim, as personagens desta obra seguem esse rumo de felicidade, mas o leitor permanece sedento pela paixão e felicidade idílica, que todas os outros romances da autora derramam. Com efeito, Marianne, apesar de obter alegria conjugal, nunca atinge um estado comparativo ao da própria irmã. Quer pelo caráter de Willoughby, quer pelo próprio rumo dos eventos, outro final era impensável. E, mesmo assim, pouco carinho se dedica a Brandon, o que, de certo modo, resulta num estado morno.
Todavia, Sensibilidade e bom senso é, obviamente notável e a sua história atraente. Portanto, é, completamente, recomendável… apesar de não se mostrar a mais feliz no seu desfecho.
Quanto à experiência de ler uma obra numa língua que não a materna, revela-se muito enriquecedora, uma vez que nos fornece um amplo vocabulário e várias oportunidades de nos deleitarmos com leituras em voz alta, que, assim, melhoram a fluência do discurso.
06 agosto 2012
Lost in Austen
Sem nada que fazer, decidi, por fim, ceder e dedicar-me à descoberta de novas séries. E nada melhor para me atrair do que uma série de época com humor e romance disfarçado e imperfeito, já que as formas mais divinas são, simplesmente, aborrecidas.
Assim, descobri Lost in Austen, uma mini série – conta, somente, com 4 episódios de 50 minutos cada – deliciosa!
Amanda Price, que não está segura do amor que lhe dedica o namorado, sonha em viver com as personagens de Orgulho e Preconceito… Eis, então, que, numa noite, encontra Elizabeth Bennet na sua própria banheira e, assim descobre uma passagem para o «enredo» do romance austeniano… Divertida, apesar de tudo, é, definitivamente, uma série atual!
Recomendável e extremamente viciante…A ver e rever…