A claridade lunar ofusca
sempre a doce alvura do olhar
petrificado de um amante que busca
escapar ao magistral terminar!O rio que brilha e serpenteia,
cortando a terra que sofreu,
observa o quadro e nomeia
o que chora o eterno Romeu.Mas está enganado!
O que carpe, finge.
O seco é o sacrificado…O desbotado de negro tinge
o níveo coração agora abandonado
daquele que a sofrer se cinge!IP
13 janeiro 2012
O carpidor e o real
04 janeiro 2012
Escuridão…
O fel corroí-me as entranhas,
destruindo a pouca alvura
mantida pela alma que abocanhas
e fazes diluir nessa negra brancura
que te mancha as garras!
Ser medíocre e fingido
que expulsas e amarras
o ser por ti temido!
Foge! Furta a tua presença
do meu olhar merecedor
de mais que uma desbotada crença.
Oh ser odioso! Que o ardor
da falsidade em ti vença
e te devore vivo e sem temor…
IP
27 dezembro 2011
Real, Insano e Faminto
A ilusão vestia a realidade
e tinha os pés fincados no desejo desesperado
de amar e deliciar o ser com a simplicidade
da paixão divina e do sentimento almejado.
Ah, que doces horas! Voava
o tempo, qual borboleta ágil, mas natural.
Oh, como fui feliz! Queria e gritava
pela morte súbita impregnada da delicia brutal!
O coração nascia, séculos após a dormência.
O azul cristalizado desbotava-se no rosa urgente
que brotava do sonho e da sonolência.
O sol já se erguera e quebrara a demência.
O ser sonhador agora estava sedento da alegria ausente,
esperava de novo o transbordar feliz da sapiência.
04 dezembro 2011
Veneno, o querer!
O coração gelado criou asas vibrantes,
o sofrimento de ser quem sou amainou.
As farpas iminentes e extramente cortantes
por dois segundos fitaram aquele que me criou.
Mas o ser morto e cruel quis rir.
Tomou as asas nas palmas níveas e destrui
a pouca liberdade.Fez a alma carpir,
fez o sonho ruir. O monstro conseguiu!
A alegria que era dormente
engoliu o veneno que o criador impingia,
soçobrou e caiu, horrorosamente!
O fogo devorou as gotículas que restavam,
e levou consigo tudo o que a minha alma pedia.
Morri! Mas, não apenas hoje. Morri em todos os dias que me sobravam.
24 novembro 2011
Barulho
Os passos não pressionam
o soalho dos meus pensamentos,
apenas esmagam as gotas que os meus sentimentos colecionam,
impedindo os seus dolorosos crescimentos!
Estas líquidas partículas vis
apertam todo o meu ser na dor
e, sem outra opção, eu aceito o que não quis,
adotando, como meu, o pudico e oco ardor.
Do piano, só os martelos se ouvem
ronronando monstruosa e brutalmente,
apagando aquilo que outrora fora a minha mente.
O agudo e grave parecem distintos.
Contudo, simultaneamente, famintos
da pressão e da dor da minha estrela que nada sente!